domingo, 1 de fevereiro de 2015

Acordei apressada,pois, não ouvira o despertador. Olhei para o lado e ele já havia saído, mas, seu perfume ainda enebriava o quarto. Água gelada como alfinetes no corpo para realmente acordar. Ao abrir o guarda-roupa dele fui sobressaltada por um sentimento forte de raiva, frustração e estresse - estava tudo bagunçado! Será que ele falou comigo pela manhã? Não o ouvi ou  talvez tenha balbuciado algo...eu materializei a cena: ele muito irado bagunçando o guarda-roupa. Vi um bilhete na máquina: " - Fui para Óbidos. só voltarei na semana que vem. Fique bem! Desculpe-me!".
Estou pisando num território minado, a qualquer momento eu posso explodir...antes espero ter tempo de deixar um bilhete " Explodi, te amo. Adeus!"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O SOLAR

Era um solar bem conservado. Ele tinha dois andares. No térreo funcionava um museu. No segundo andar, a proprietária do imóvel tinha transformado em um apartamento, que, diga-se de passagem, era bem amplo. Neste apartamento havia uma varanda lateral e ao final uma escada em caracol que dava acesso a um mezanino.
No fim da tarde como era de costume, ia ao Museu fechá-lo. Deparei-me com um Senhor gordo muito carrancudo e em seu colo um bebê. Estavam em uma poltrona. Ao me aproximar, perguntei-lhe o que desejava e informei que o horário de visita havia terminado e pedi para ele voltar no dia seguinte, contudo, para minha surpresa ele respondeu: “- Senhorita, essa casa é minha. Você e seu esposo é que precisam sair imediatamente deste prédio. E não se esqueça de levar seu jardim”. Num piscar de olhos, o Senhor gordo e o bebê sumiram bem diante de meus olhos. Nem ao menos pude retrucar-lhe com perguntas: “ como ele sabia de Cláudio? E do meu jardim? Ah poderia ter visto na varanda o meu pequeno roseiral!”
Não conseguia encontrar nenhum argumento plausível para a situação que ali se delineou, de certo, ao contar ao meu marido, este diria: “mulher, estás a delirar?”. Porém, não me restava alternativa... Esperei ansiosamente por Cláudio...
Apesar de todo o ceticismo vacilante, ele acreditou... Noutro dia, a proprietária estava providenciando a nossa mudança... Uma semana depois, caminhando pela orla no fim da tarde, parei um instante na frente do solar como que para matar a saudade e novamente vi o Senhor Gordo sentando na poltrona com o bebê em seus braços. A feição dele era diferente... Tranquilidade!


sábado, 24 de agosto de 2013

Há no peito incertezas
que me devoram
que me devoram
que me devoram
Eu só queria uma coisa:
MENTIRAS SINCERAS

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

CINZAS

Hoje quando ela acordou...
Viu a manhã chuvosa e cinzenta
Em seu peito a alegria levemente repousou...
Era quarta-feira de cinzas...
Espiou no calendário só pra constatar o que na verdade já sabia...
Oh Quarta de Cinzas...
Cinzas é tudo que restou do desmiolado carnaval 
"Que bom que ele já foi"
Enquanto todos se mascaravam para foliar
Ela se desmascarou...precisava lidar com suas imperfeições!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Durante uma semana ela sonhou o mesmo sonho: Era uma cidade de serra,mas, não podia contemplar mais detalhes, pois toda a ação se passava a noite.
Lá no alto, via-se a igreja, havia nas proximidades um poste com uma luz bem fraquinha.
Tudo ao seu redor era escuro - MUITO ESCURO!
Á medida que ela caminhava na rua, ela se sentia perseguida...e estava....
De canto dos olhos, o observou...ele era alto e tinha um sobretudo preto "DROGA, NÃO CONSIGO VER O ROSTO DELE" resmungou bem baixinho.
Constatou haver casas escondidas dentro do mato crescido - um cenário aterrorizante! pensou ela.
A única luz que iluminava seus passos era a da Lua Cheia.
Encontrou rostos conhecidos e amigos,mas, nenhum respondia ás suas súplicas quando externadas.
Ele a perseguia - era um homem com um sobretudo preto. Parecia não ter rosto....
Não adiantava correr,pois, em um passo ele a alcançava.
Num impulso correu com toda a sua força e em poucos minutos rompeu os portões da Igreja.
No altar não havia um padre,mas sim uma cartomante cigana  com batina.
Ela tinha olhos graúdos e penetrantes...
Neste momento o homem adentrou na igreja e lentamente caminhava até o altar.
Rapidamente, ela estendeu as mãos a cartomante que fez uma cara lamentável e disse: PARE DE FUGIR...ELE É VOCÊ!