sexta-feira, 8 de abril de 2016
Para Davis
É só eu lembrar da tua voz
Sussurrando em meus ouvidos
Que a distância se dissipa
E desperta lembranças
Que um dia eu quis esquecer..
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Chuva forte na janela, e, de repente, ela acordou e percebeu que ainda era de madrugada. Ficou muito zangada e tentou dormir - em vão - a cama tinha um vazio que ficara evidente por conta desse súbito susto! Tentou esvaziar a mente: em vão! Virava de um lado para o outro, só conseguiu dormir quando o sol timidamente despontou naquele céu nublado em escalas de cinza.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
PELA JANELA DO QUARTO
Da janela do hotel, ela fitava as ruas Viamonte¹ e Paraná e
não via nenhuma pessoa, nenhuma vivalma... O frio era protagonista dos dias que
se sucederam a sua estadia. O céu completamente fechado e a chuva fina e “insistente”
deixavam-na um pouco paranoica. Na frente, havia um prédio, mas, ninguém olhava
na janela, observou que nono andar havia alguém – não conseguiu distinguir
pela silhueta se era homem, mulher ou uma criança vendo televisão – aqueles programas
enfadonhos. Aquela situação estava a consumindo, como o fumante consome o seu
cigarro. As lembranças da terra com o céu azul e com poucas nuvens, do calor e
do encontro dos rios a faziam sorrir num momento de lucidez, mas, tão acabava
de sorrir e o surto voltava novamente, entretanto, a única pessoa que poderia perceber o
lugar paralelo em que se encontrava, estava dormindo... No outro canto, tinha outro prédio antigo
e muito rico em detalhes, se prendia aqueles detalhes rebuscados na tentativa
vã de imaginar quem vivera ali e como tinham vivido... Será que eram felizes? Ou
será que tiveram um desatino?Oh meu Deus! Isso é um sonho? Que vontade de gritar bem
alto...
¹ Viamonte é uma rua da Cidade de Buenos Aires - Há vários casarões antigos e nas proximidades, observa-se uma grande quantidade de pequenos teatros.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
O contraditório em sentir que algo é e não é ao mesmo tempo...
o mais dolorido é o pertencimento e ao mesmo tempo, em momentos de lucidez observar
tudo o que está posto não faz parte de você, como se fosse algo substituível ou que
se emoldura pra tornar o lugar mais belo
diante de tanta racionalidade, ordem e chatice.
terça-feira, 23 de junho de 2015
VACAS PROFANAS
Sem teu hálito escarrado na vogal
da palavra
repita:BOCETA
sem que cada letra
atravessasse povoado da vergonha
arrastada pelo braço
Repita:BOCETA
quantas vezes preciso
BOCETA
afrouxe o dente serrado
não convém os olhos vendados
a escuridão espreitada ao lado
e nem diga como se cada vogal
estivesse ali pra ser violada
repita Amigo, não tenha medo
BOCETA.
(Antônia Muniz)
Sem teu hálito escarrado na vogal
da palavra
repita:BOCETA
sem que cada letra
atravessasse povoado da vergonha
arrastada pelo braço
Repita:BOCETA
quantas vezes preciso
BOCETA
afrouxe o dente serrado
não convém os olhos vendados
a escuridão espreitada ao lado
e nem diga como se cada vogal
estivesse ali pra ser violada
repita Amigo, não tenha medo
BOCETA.
(Antônia Muniz)
quarta-feira, 10 de junho de 2015
CARTA PARA HONEY B.
Santarém, 07 de setembro de
2015.
Honey B,
Dias chuvosos são muito
peculiares, em particular, a preguiça e a melancolia me assaltam. Ultimamente,
venho fazendo uma retrospectiva, paulatina, desde que sai de Belém há um ano e
alguns meses. Tive muitas experiências, ora alegres, ora estressantes, ora tristes...
Conheci pessoas maravilhosas, outras desprezíveis... Nesse caminho reencontrei
outras da minha infância, adolescência e até dessa fase juvenil... A
perseverança me acompanha há tempos, contudo, ás vezes, ela some num piscar de
olhos, e é onde a minha aflição começa... Tenho receio de abandonar tudo que já
construí pelo simples motivo de ratificar o que o Senhor Tempo me mostra e eu
não quero aceitar – até quando irei aguentar a minha pressão e a dos outros? E as
comezinhas do cotidiano? – Essas já estragaram muito a nossa relação (sem
culpados disso e daquilo... isso é enfadonho). A certeza é que se um dia eu
voltar pra cidade das mangueiras não é porque eu deixei de te amar, mas, porque
estamos em dimensões temporais diferentes.
PS: Amo-te, Flor.
PS 2: E Que engraçado, ouvi no
rádio aquela música “ O Tempo” dos Móveis Coloniais que transcrevo na íntegra:
A gente se deu tão
bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
Que sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
Que sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis (Refrão)
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
Do jeito que eu sempre quis (Refrão)
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar nos dois segundos sem você
Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar pelo presente de fazer
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar nos dois segundos sem você
Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar pelo presente de fazer
(Refrão)
Pra mim, pra mim
Laiá, lalaiá
Laiá, lalaiá
Se o tempo se abrir
talvez
Entenda a razão de ser
De não querer sentar pra discutir
De fazer birra toda vez que peço tempo pra me ouvir
Entenda a razão de ser
De não querer sentar pra discutir
De fazer birra toda vez que peço tempo pra me ouvir
A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
Eu
que nunca discuti o amor
Não vejo como me render
Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?
Ou só me quer tão só?
E então se tudo passa em branco eu vou pesar
A cor da minha angústia e no olhar
Saber que o tempo vai ter que esperar
Não vejo como me render
Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?
Ou só me quer tão só?
E então se tudo passa em branco eu vou pesar
A cor da minha angústia e no olhar
Saber que o tempo vai ter que esperar
(Refrão)
quarta-feira, 18 de março de 2015
ADEUS
As relações afetivas são muito complexas - um momento amamos uma pessoa e em outro a odiamos - é dialético, pois, lá na frente há a possibilidade de um reencontro (que não é necessariamente afetivo, mas, de amizade ou coleguismo) ou o total desprezo...
Débora pensava nessa dialética, e foi quase inevitável não rememorar o seu relacionamento de 05 anos com John - os sonhos, as desilusões, as traições dele...
Na época da traição dele, não conseguiu o confrontar...eram namorados desde que ela tinha 17, ele tinha 19 - Débora, a princípio, pintou uma tela de que eles ficariam juntos até a velhice...
O relacionamento estava em crise!
John era um cara meio " deixa a vida me levar", sem muitos planejamentos...era brilhante, mas, estava frustrado com as perspectivas de sua profissão - estudava jornalismo!
Débora saiu a noite com algumas amigas para desabafar e se divertir - A Praça do Carmo estava lotada! Lá esbarrou com Marcos - um carinha por quem teve uma paixão platônica, mas, por ser mais velho, a esnobou.
Cumprimentaram-se..
Débora já meio entorpecida, olha furtivamente para a mesa de Marcos, e antes dele perceber voltava a atenção para as amigas...Meia hora depois, pediu licença a elas: - Meninas, vou bem ali fumar. Já volto!
Atravessou a praça, a rua e se encostou no muro e ali mergulhou em si mesma que nem percebeu quando Marcos se aproximou...
- Que susto, Marcos
- Desculpa, Débora...tu não viste eu me aproximar?
- Não...
- Quanto tempo, hein? - disse Marcos
- É faz mesmo...lembrei agora de quando tu me esnobava ( risos)
- Ah! menina para com isso...
- Como tá lá em Minas?
- Muito trabalho...é uma cidade muito bonita, mas, sinto saudades de Belém.
- Hum!!
E conversaram sobre muitas outras coisas...Débora fumou quase um maço inteiro
- " Déboraaaa, vamos amiga? gritou Aline.
- Já tô terminando! Pera só um pouquinho, Aline, por favor!
- Tchau, Marcos. Sucesso.
a noite estava fria, tal qual a vida dela...um abraço...um arrepio!
- Ei, espera - gritou Marcos
- oi? O quê? perguntou Débora
Um beijo...Uma transa...algo passageiro...
Não aguentou e contou a John que no auge do orgulho ferido a humilhou, chegando a dizer que só voltaria a namorar se fossem morar em outra cidade, pois, estava marcado pela desonra. Sem condições de reagir, calou-se diante das barbaridades...
Terminaram...
Hoje, depois de muitas experiências, com mais idade, com mais "leituras" do mundo e de conhecimento - quando lembra deste episódio, pensa que teria tido outra atitude: teria dito pouca e boas ao John, mas, a vida não é feita de "se"...Por muito tempo aquela cicatriz que o Machismo de John fez em seu coração doeu e sangrou muito...
"o passado é uma roupa que não nos serve mais"...é isso mesmo, Belchior..."obrigada"
- Adeus, John!
Débora pensava nessa dialética, e foi quase inevitável não rememorar o seu relacionamento de 05 anos com John - os sonhos, as desilusões, as traições dele...
Na época da traição dele, não conseguiu o confrontar...eram namorados desde que ela tinha 17, ele tinha 19 - Débora, a princípio, pintou uma tela de que eles ficariam juntos até a velhice...
O relacionamento estava em crise!
John era um cara meio " deixa a vida me levar", sem muitos planejamentos...era brilhante, mas, estava frustrado com as perspectivas de sua profissão - estudava jornalismo!
Débora saiu a noite com algumas amigas para desabafar e se divertir - A Praça do Carmo estava lotada! Lá esbarrou com Marcos - um carinha por quem teve uma paixão platônica, mas, por ser mais velho, a esnobou.
Cumprimentaram-se..
Débora já meio entorpecida, olha furtivamente para a mesa de Marcos, e antes dele perceber voltava a atenção para as amigas...Meia hora depois, pediu licença a elas: - Meninas, vou bem ali fumar. Já volto!
Atravessou a praça, a rua e se encostou no muro e ali mergulhou em si mesma que nem percebeu quando Marcos se aproximou...
- Que susto, Marcos
- Desculpa, Débora...tu não viste eu me aproximar?
- Não...
- Quanto tempo, hein? - disse Marcos
- É faz mesmo...lembrei agora de quando tu me esnobava ( risos)
- Ah! menina para com isso...
- Como tá lá em Minas?
- Muito trabalho...é uma cidade muito bonita, mas, sinto saudades de Belém.
- Hum!!
E conversaram sobre muitas outras coisas...Débora fumou quase um maço inteiro
- " Déboraaaa, vamos amiga? gritou Aline.
- Já tô terminando! Pera só um pouquinho, Aline, por favor!
- Tchau, Marcos. Sucesso.
a noite estava fria, tal qual a vida dela...um abraço...um arrepio!
- Ei, espera - gritou Marcos
- oi? O quê? perguntou Débora
Um beijo...Uma transa...algo passageiro...
Não aguentou e contou a John que no auge do orgulho ferido a humilhou, chegando a dizer que só voltaria a namorar se fossem morar em outra cidade, pois, estava marcado pela desonra. Sem condições de reagir, calou-se diante das barbaridades...
Terminaram...
Hoje, depois de muitas experiências, com mais idade, com mais "leituras" do mundo e de conhecimento - quando lembra deste episódio, pensa que teria tido outra atitude: teria dito pouca e boas ao John, mas, a vida não é feita de "se"...Por muito tempo aquela cicatriz que o Machismo de John fez em seu coração doeu e sangrou muito...
"o passado é uma roupa que não nos serve mais"...é isso mesmo, Belchior..."obrigada"
- Adeus, John!
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